quinta-feira, 9 de abril de 2009

HISTÓRICO DO JUDÔ CATARINENSE

Para contar a trajetória do Judô em Santa Catarina, optamos, neste primeiro momento, pela transcrição da matéria publicada no encarte especial Memórias do Esporte Catarinense, do Jornal A Notícia, edição de 10/2/2002.
A história do judô em Santa Catarina inicia em 1962, com a chegada do faixa-preta Kenzo Minami, nascido no Japão e naturalizado brasileiro. O seu primeiro grupo de alunos surgiu nos tatames montados na Associação Atlética Banco do Brasil, e a primeira destacada participação se deu em 1965 em Curitiba, até então o único elo para intercâmbio. Neste mesmo ano, se instava em solo catarinense o também faixa-preta Kasuo Konishi, oriundo do interior paulista e que viria a se constituir uma espécie de “desbravador” de judô em todo Estado. Paralelo ao trabalho desenvolvido no norte por Minami, e Oeste (centro e extremo) por Konishi, outros nomes foram se apresentando e compondo o quadro dos precursores do judô catarinense: Takehisa, Ferreira e Sogo na região de Florianópolis, e Tsuneo Shimazaki em Blumenau. O primeiro encontro de maior repercussão em nível estadual teve lugar em Florianópolis no ano de 1969, promovido por Takehisa e com participação de judocas da Capital, Brusque, Criciúma, Blumenau e Joinville. Já como competição de caráter oficial, a primeira disputa aconteceu nos 12º Jogos Abertos de Santa Catarina (Rio do Sul 1971). Aliás, sobre a inclusão do judô nos JASC, vale registrar alguns fatos: em 1969, durante a realização dos Jogos em Joinville, o então faixa-azul Roberto David da Graça (Cocada) sugeriu ao seu mestre Minami a possibilidade de incluir a modalidade nos JASC, visto que o número de municípios onde se praticava o judô já comportava tal disputa. No decorrer de 1970, Minami e Cocada foram em busca dessa realização, obtida, enfim, em 1971, com o parecer favorável do então presidente da CCO dos 12º JASC Augusto Elling Parcias. Em outubro de 1971, Minami, Cocada e Boaventura Pereira Nunes Neto (Urso) lotaram um caminhão da Prefeitura de Joinville com tatames e se dirigiram a Rio do Sul, montaram a área de lutas e deram inicio àquela que ainda hoje é a mais concorrida competição de judô catarinense.
E as disputas de Rio do Sul foram ainda mais marcantes quando constatamos que lá foram dados os primeiros passos para a criação da Federação Catarinense de Judô, inicialmente com os trabalhos preliminares da dupla Minami/Cocada e depois com empenho decisivo de Konishi, a rigor o mentor da FCJ. No plano competitivo e usando como parâmetro os JASC, a década de 70 foi dominada por Joinville (campeão em 71/76/77/79) e Blumenau (campeão em 74/75/78). A partir de 1980, o judô catarinense vislumbrou um equilíbrio maior, inclusive em nível nacional, e mesmo porque já contava com alguns atletas de renome oriundos de outros Estados, formando fortes equipes, como as de Chapecó e Florianópolis o naipe masculino, e Joaçaba e Timbó, no feminino. Já nos últimos 10 anos, foi a Capital que, com raras exceções, manteve a supremacia. A Federação Catarinense de Judô, fundada em Maio de 1973, teve como primeiro presidente (até o inicio de 1977) Mário Correa (de Videira); nos dois anos seguintes, foi administrada pelo professor Camilo Moisés Penso (também de Videira); já a partir de 1979 e pelos 22 anos seguintes foi Kasuo Konishi que manteve-se no comando do judô catarinense. Finalmente no dia 18 de junho de 2001, quem assumiu foi Roberto David da Graça, o qual aliás esteve integrado à entidade desde a sua fundação, mesmo que durante quase duas décadas tenha encabeçado oposição ao seu antecessor.
Entre as associações que compõem o quadro de filiados da FCJ, algumas marcaram época, sobretudo pela estrutura e resultados obtidos: Associação Joinvilense de Judô (Kenzo Minami), Associação Videirense de Judô (Kasuo Konishi), Associação Atlética Tupy, de Joinville (Roberto David da Graça), Associação de Judô e Karatê Samurai, de Blumenau (Tsuneo Shimazaki) e Associação de Judô e Karatê Budokan de Florianópolis (Shigeru Sogo), compondo o quadro predominante da década de 70. Sociedade Esportiva e Recreativa Sadia, de Concórdia (Ladi Julian), Maba Judô Clube (João Carlos Maba), Clube Recreativo 6 de Janeiro, de Florianópolis (Carlos Alberto Rocha), Associação Colon de Judô, de Joinville (Icracir Rosa e Silvio Acácio Borges), Grêmio Esportivo Comercial, de Joaçaba (Kasuo Konishi), Associação Desportiva e Recreativa Hering, de Blumenau (Ademir Schultz), entre outras. Na ultima década surgiram com destaque maior nas categorias menores (crianças) agremiações como Associação Gasparense (Eloi Nivaldo Sur, depois João Carlos Maba), Clube Escolar Barão do Rio Branco, de Blumenau (Reinaldo Packer), Associação Concordiense (Ladi Julian). Nas categorias maiores, o podium do naipe feminino contou com novas expressões, como Academia Corpore de Timbó (Luiz Carlos da Silva) e Joaçaba Esporte Clube (Acácio Issao Yamaguti), além da S. E. R. Sadia. Já no masculino apareciam bem a Associação Chapecoense (Róbson Nunes Silva) e a Associação Itajaiense (Adides Dimas dos Santos) a partir dos anos 90 até os dias atuais a presença mais poderosa tem sido a da Associação Desportiva do Instituto Estadual de Educação, de Florianópolis (Oscar Cesar Grando) que, mercê de uma invejável estrutura, conquistou a grande maioria dos títulos de ambos os naipes, organizou os mais importantes eventos da modalidade e mantém em seu dojô o maior número de atletas em formação.
No plano individual, a plêiade de vencedores do judô catarinense iniciou com Roberto Cocada, campeão do peso leve e absoluto da primeira disputa da modalidade nos JASC, seguindo por mais de 10 anos conquistando medalhas em competições estaduais e interestaduais, além de iniciar e representatividade estadual em campeonatos brasileiros. Nos JASC de 1972, em Itajaí, estreou aquele que durante quase duas décadas dominaria amplamente os nosso tatames: João Carlos Maba, judoca de múltiplos predicados e que não raramente deixava as competições levando no mínimo duas medalhas de ouro, transformando-se no referencial maior do nosso judô a nível nacional, mesmo porque foi o primeiro medalhista catarinense em campeonatos brasileiros. E a primeira geração de campeões foi sendo completada com novos expoentes, como Eloi Nivaldo Sur, quase imbatível na categoria peso pena. Os anos 80 iniciaram com o marcante fato da contratação pela Sociedade Esportiva e Recreativa Perdigão, de Videira, de nada menos que seis atletas do primeiro escalão do judô brasileiro, todos de São Paulo: Luis Shinohara (peso ligeiro), Luiz Onmura (peso meio-leve), Roberto Machusso (peso meio-médio), Walter Carmona (peso médio), Carlos Alberto Pacheco (peso meio-pesado) e Jose Thales (peso pesado). Completada pelos catarinenses Rudimir Travasso (peso leve) e Roberto Cocada (técnico), esta equipe conquistou, em 1981, o 7º torneio interestadual realizado em Joinville, o Campeonato Estadual, os JASC e o Campeonato Brasileiro Adulto, além de ser a base da seleção brasileira que foi ao Campeonato Mundial. Foi este um ano de ouro para o judô catarinense... isto nos tatames, porque fora deles os impasses não foram poucos: ações arbitrárias, punições, brigas políticas, boicote nos JASC, etc., culminando enfim com o desmantelamento da poderosa equipe videirense. Se por um lado estes fatos refletiram negativamente no contexto político/administrativo, situação esta que estendeu-se aos anos seguintes, o judô catarinense manteve-se em franco desenvolvimento no aspecto técnico, contando gradativamente com o recurso de um respeitável grupo de fortes judocas oriundos de outros centros, a exemplo de campeoníssimos do quilate de Renildo Nunes, Rinaldo Caggiano, Róbson Nunes Silva, Fabiano Milano, Fabrício Cadori, Alexandre Garcia e outros mais. Dentre os “prata da casa”, novos e grandes nomes foram somando, a exemplo de Carlos Francis Konishi, para muitos o mais técnico dos judocas catarinenses em todos os tempos, cujas atuações enchiam os olhos dos mais exigentes adeptos da modalidade; Márcia Aparecida Bernardi, a primeira catarinense campeã brasileira; Dulcimar Antonio Grando e Jorge Roberto Sebastião, dupla que proporcionou memoráveis confrontos que ultrapassaram os próprios limites da área de combate; Giocélio Alves da Silva, o mais antigo dos campeões (desde 1979) ainda em franca atividade; Claudete Vargas, que invariavelmente buscava (e conseguia) o ippon nos segundos iniciais de luta; Paulo Sergio da Silva, com o recorde de nove títulos consecutivos nos JASC; e tantos outros nomes que bem merecem constar da galeria dos nossos grandes vencedores. Na atual safra de campeões, um nome se destaca sobremaneira: Fabiano Zambonetti, sem dúvidas o dono das maiores glórias obtidas pelo judô catarinense.



Fonte:http://www.judosc.com.br/index_historico.php#HJUDOCAT

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